Quinta-feira, Setembro 25, 2008

Até... (onde já não sei)


Hoje vi o meu amor pela última vez… Num tempo que se vai prolongar vazio, ausente de cheiro, de sabor e de cor.

Hoje toquei-lhe o rosto e abracei-lhe a alma… Desenhei-lhe no pulso uma pulseira com um misto de angústia, ternura e desespero, como ele também já o fizera um dia.

Em tempos, houve uma noite escura com sabor a mar, um mar só nosso que brilhou quando lhe tocámos, quando pontapeámos as ondas e a areia com mestria… E as estrelas nasceram… E no breu cerrado eu vi-as brilhar nos seus olhos…

Nessa noite, o mundo brindou-nos com a água do mar e do céu… Com a água da vida que faz girar sonhos e saceia vontades de homens e mulheres. E soltamos risos que só os peixes e os búzios ouviram…

Hoje vi o meu amor pela última vez… Num tempo fugaz de tolerância e complacência… Hoje toquei-lhe a pele e senti-lhe o perfume. Ainda existe aroma quando a vida teima em parar sempre no mesmo sítio.

Eu quero que o tempo me traga de volta o tempo que me tirou… Ou o tempo que ainda não foi meu...

Um dia vamos ser todos um.

Eu, tu e o mar…

Até...
Helena Bellamy
Imagem: La Scène du Monde por Helena Bellamy
A ouvir: O bater do coração

3 Pó de Estrelas:

Anónimo disse...

tu queres , vais ter e vão ser um...........

Bellamy disse...

Agora vejo que sim... Às vezes as palavaras não passam disso mesmo "palavras". Mas estas, as tuas, transformaram-se! E somos um!
Love you :)

Anónimo disse...

Que imagem linda...
Adré Viana